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Hambúrguer de búfalo e açaí com peixe frito são opções na merenda escolar

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Foto: Georgio Sandro Penha / Prefeitura de Soure

Com informações da EMATER

Durante a pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, os alunos da rede pública de Soure, no Marajó, continuam recebendo merenda escolar, pronta e variada, de segunda a sexta. O cardápio inclui peixe frito, açaí batido, água-de-coco, leite de búfala e chouriço artesanal. Todo dia é oferecido um pacote com opções de aperitivo, entrada, prato principal, sobremesa e suco, a partir de ingredientes naturais e regionais, adquiridos da agricultura familiar do município. 

Os esforços da Prefeitura para promover nutrição e ao mesmo tempo cultura são coroados com a parceria do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Este ano, o contrato, no valor de quase R$ 600 mil, é assinado por duas associações atendidas de forma direta pela Emater: Associação dos Agricultores dos Campos do Marajó – AAFCAM (fornecedora de mais de 40 produtos) e Associação dos Batedores, Produtores, Extrativistas e Peconheiros do Município de Soure – Abepas (que fornece 10 mil litros de açaí médio), ambas presididas por jovens mulheres. Dependendo do produto, o lucro dos agricultores chega a atingir 70%, de acordo com estimativas da Emater. 

“A Emater emite as declarações de aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar  – Pronaf [daps] individuais e jurídicas, participa da construção de listagens de oferta e demanda de produtos, a partir de costumes de consumo e calendário agrícola; intermedeia a negociação de custo-benefício para os agricultores e acompanha com rigor o padrão de plantio, criação e beneficiamento, dentro das normas legais”, explica o chefe do escritório local da Emater, o técnico em pesca Fernando Moura. 

Alimentação – Cerca de 4 mil e 500 famílias – com crianças ou adultos em processo de alfabetização – podem coletar as refeições, em um horário determinado, de 9h às 10h30, nas 23 escolas de ensino fundamental (da zona urbana, da zona rural e das praias). 

A comida é preparada em uma cozinha experimental da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e nas cozinhas das próprias escolas. A quantidade é calculada per capita: as famílias têm direito a porções proporcionais ao número de membros. 

“Não é só uma política pública ou a obrigação do Estado, em seus diferentes níveis de governo, de promover segurança alimentar. É além: somos protagonistas da emoção de oferecer a esses alunos um alimento que conta a história deles e a história das tradições do município”, contagia o nutricionista da Semed, Georgio Sandro Penha, responsável técnico pela merenda escolar em Soure e Salvaterra.

Algumas das iguarias são x-búfala, uma versão saudável dos sanduíches de fast food, e sorvete de leite de búfala com frutas típicas, para aplacar o calor do verão. 

“Exploramos as potencialidades da agricultura e damos espaço à criatividade. A maioria dos nossos alunos não tem condições socioeconômicas de comprar o que dá vontade de comer, a maioria nunca viajou. Por que, então, não trazer para eles a comida dos comerciais de televisão em um formato que valoriza a regionalidade paraense e proporciona saúde?”, reflete. 

Associações

Consideradas as duas Associações, são mais de 80 produtores de nove comunidades. “Esta é uma iniciativa-chave, um avanço muito grande. Estamos usufruindo do resultado concreto de uma reunião de esforços entre governo e organizações sociais dos agricultores.  Agora é o processo de fornecer provas vivas de como é possível viver bem da agricultura familiar, em termos de renda e de dignidade”, diz a presidente da Aascam, Bruna Silva (mais conhecida como “Bruna Péua”), 29, à frente da Queijaria e Laticínio Baio Péua. 

Bacharel em Direito e acadêmica de Tecnologia em Alimentos, ela tem se voltado à área de Direito Agroalimentar: “Merenda escolar é um dever e um direito. Representa injeção de recursos na agricultura e modelação do paladar das nossas crianças, para o que é da terra e para o que alimenta de verdade”, completa. 

Para Ariane Cecília Silva, 34, presidente da ABPAS, “o Pnae divulga nosso produto e assegura renda. Dizemos que é o alcance do nosso objetivo máximo: o reconhecimento do nosso trabalho, a valorização do que produzimos, e uma comercialização justa, que nos incentiva a expandir a atividade e a continuar sendo agricultores, inspirando as novas gerações”, pontua. 

Alguns dos desafios, ainda, são a burocratização e a diversificação de produção nas propriedades.

“Há um caso, por exemplo, de um produtor que só cultivava cheiro-verde. Com mobilização, conscientização e capacitação, começou a trabalhar com alface. Em um mês e meio, já pôde vender. Desbravar a resistência é um passo-a-passo”, conta Péua.