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Conta de energia fica mais cara e população sofre

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Com o aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a conta de luz ficou mais cara no Pará. O aumento médio de 11,78% na tarifa passou a valer ainda na última terça (7), quando a diretoria da ANEEL aprovou o reajuste. Como já era esperado, muita gente não gostou da notícia e fez uso das redes sociais para criticar tanto a agência reguladora quanto a Celpa, destacando que muitas vezes o serviço prestado pela concessionária é de má qualidade. Para entender como a população de Marabá está reagindo diante da alteração, a reportagem do CORREIO foi às ruas nesta quarta-feira (8) e descobriu que a maioria dos entrevistados sequer sabiam do acréscimo na conta de energia.

ALICERCE
O aposentado José Ferreira dos Santos, por exemplo, ficou assustado quando ouviu a informação. Para ele, o aumento é totalmente desnecessário. “Eu discordo, estou pagando energia que nem gasto, já que estou morando sozinho. Saio de casa bem cedo e chego à tarde, e não tem nada ligado a não ser a geladeira. Até o bebedouro, passa de mês que está desligado”, desabafou. O professor Bruno Rafael dos Santos Carvalho, já estava sabendo da novidade. “A energia já é bem cara e com o acréscimo, sacrifica o trabalhador”, reclamou.

Ele acredita que a alteração vai, inclusive, dificultar o controle dos gastos dos usuários da Celpa, além de apertar ainda mais o orçamento mensal. Conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Pará, os consumidores de alta tensão (Setor Empresarial/Indústria e Comércio) vão ter um aumento médio de 11,40% na conta, o que ainda não é aceitável para alguns empreendedores.

O comerciante Dorico Pacheco foi surpreendido pelo reajuste da tarifa e teme que possa pagar até mais de R$1 mil na conta de luz, lembrando que hoje desembolsa cerca de R$800. “Precisa é de baixar e não de aumento, porque já está alto demais”.

Já Robério Pereira Santos, proprietário de uma panificadora na Folha 28, considerou abusivo o novo aumento, dizendo que vai encontrar dificuldades para conseguir pagar o talão, destacando que já gasta R$2.500 com a energia mensalmente.

Há 10 anos administrando uma oficina de bicicleta, José Mendes Souza considera inoportuna a alta tarifária. “Eu acho muito errado, já não tem emprego para ninguém”, declarou, reforçando que além de gastos com a luz, muitos comerciantes também pagam pelo aluguel de imóveis.

Baixa qualidade

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), 47% dos brasileiros recebem serviço de energia elétrico de baixa qualidade. O estudo aponta ainda que moradores das regiões Norte e Centro-Oeste são os que mais sofrem com o fornecimento precário, tendo 51% da população prejudicada.

A entidade analisou a quantidade e duração das falhas de fornecimento em níveis nacional e regional, no período de 2011 a 2017. Ao fim da análise, as regiões Sul e Sudeste apresentaram os melhores indicadores, com 45% e 46% dos usuários prejudicados por falhas que estão acima do limite estabelecido pela Aneel.

A avaliação do instituto levou em consideração dados publicados no site da agência reguladora e dão conta de toda a área de distribuição elétrica do Brasil, englobando 91 distribuidoras que atendem 81 milhões de unidades consumidoras.

A pesquisa foi montada com base na análise dos seguintes aspectos: número de unidades consumidoras ao longo do tempo, quantidade de unidades consumidoras afetadas pela violação dos indicadores de continuidade de serviço e valor limite desses indicadores. O estudo chegou à conclusão de que as concessionárias Celg de Participações e a Energisa, no Mato Grosso, são as que mais contribuem para os resultados negativos.

Na região Norte, a Eletrobras Amazonas é a campeã de falta de energia, enquanto no nordeste as empresas Eletrobras Alagoas, Eletrobras Piauí, Coelba (Bahia) e Celpe (Pernambuco), acumulam desempenhos negativos. O Rio de Janeiro tem o pior resultado no Sudeste, com a Enel prejudicando 82% usuários com falhas no serviço. E no Sul, o Rio Grande do Sul tem o pior índice com a Companhia Estadual de Energia elétrica (CEEE-D) e RGE, do grupo CPFL Energia.

Aumentos sucessivos sempre acima da inflação, diz Dieese

As Centrais Elétricas do Pará atendem 2,6 milhões de unidades consumidoras nos 144 municípios do estado, portanto todas elas serão atingidas pelo aumento na tarifa. De acordo com o Dieese, desde a privatização da Celpa em 1998 até os dias atuais, os acréscimos tarifários foram bem superiores à inflação calculada durante o mesmo período, alcançando mais de 600% contra inflação estimada em aproximadamente 250,00%. Ainda segundo a entidade, em termos globais, este é o 20º reajuste autorizado pela ANEEL na tarifa da energia fornecida pela Celpa, desde que a concessionária se tornou uma empresa privada.

NOTA

A assessoria de comunicação da Celpa confirmou por meio de nota enviada na terça-feira (7) que o aumento foi uma determinação da própria ANEEL. A agência regulatória, por sua vez, emitiu nota confirmando o reajuste e explicando o cálculo feito. “Ao calcular o reajuste, conforme estabelecido no contrato de concessão, a Agência considera a variação de custos associados à prestação do serviço. O cálculo leva em conta a aquisição e a transmissão de energia elétrica, bem como os encargos setoriais”.

Ainda foi repassado que “o efeito médio da alta tensão refere-se às classes A1 (>= 230 kV), A2 (de 88 a 138 kV), A3 (69 kV) e A4 (de 2,3 a 25 kV). Para a baixa tensão, a média engloba as classes B1 (Residencial e subclasse residencial baixa renda); B2 (Rural: subclasses, como agropecuária, cooperativa de eletrificação rural, indústria rural, serviço público de irrigação rural); B3 (Industrial, comercial, serviços e outras atividades, poder público, serviço público e consumo próprio); e B4 (Iluminação pública)”.

(Com informações de Josseli Carvalho)