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Com 24 indicações ao Oscar, Netflix se consolida como distribuidora de filmes “de prestígio”

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Foto: Divulgação/Netflix

Por Época Negócios

Antes considerada inimiga dos cinemas e dos tradicionalistas da forma, a Netflix se consolidou em 2019 e 2020 como protagonista na distribuição de filmes considerados “de prestígio”. A confirmação veio com o anúncio, nesta segunda-feira, das indicações do Oscar 2020, em que o serviço de streaming abocanhou 24 indicações, maior marca do ano.

A Disney ficou logo atrás com 23, seguida da Sony, com 20 indicações.

O salto da Netflix deve-se muito a como a empresa conseguiu, até que enfim, se infiltrar nas principais categorias do evento. Em 2019, Roma colocou a empresa no mapa com 10 indicações, mas foi exceção: além do filme de Alfonso Cuarón, foram apenas 5 indicações.

Neste ano, o estúdio emplacou três longas nas categorias principais: “História de um Casamento”, “O Irlandês” e “Dois Papas”. O domínio veio em especial nas categorias de atuação: 7 atores foram prestigiados com indicações. A categoria de melhor ator coadjuvante tem três dos cinco representantes vindo de obras do streaming.

Sobre o trabalho com a Netflix, Martin Scorsese, diretor de “O Irlandês” disse: “Precisávamos fazer um filme caro”. “A indústria cinematográfica muda a cada hora — não necessariamente para melhor — e muitos dos lugares onde antes buscávamos financiamento não eram mais viáveis. Então começamos a falar com a Netflix.”, afirmou, em entrevista à Variety

“Concordamos com tudo, e mais importante, concordamos que queríamos fazer esse filme,” continuou. “Em termos de orçamento e ambição, era muito mais apetitoso para a Netflix do que para um estúdio tradicional.”

Com Scorsese, a empresa ganhou o aval de um dos mais celebrados cineastas norte-americanos. Isso veio um ano depois de Steven Spielberg, outro diretor aclamado, afirmar que filmes da plataforma deveriam disputar prêmios de televisão, e não cinema.

O triunfo sobre a Disney, por sua vez, é ainda maior considerando que os números do maior conglomerado de mídia do mundo neste ano vieram “inflados”. Com a compra da 20th Century Fox, a casa do Mickey herdou diversas produções que acabaram se destacando. “Ford v. Ferrari” e “Jojo Rabbit” já estavam sendo produzidos no momento em que a compra estava sendo negociada e saíram com 9 indicações somadas, incluindo Melhor Filme para ambos.

Mas a vitória sobre a Disney é melhor representada na categoria de Animação. No “desempate”, a animação natalina da Netflix “Klaus” conseguiu a indicação, tirando “Frozen 2”, o filme animado com maior bilheteria da história, da categoria.

A Netflix também se manteve forte entre documentários. Depois de passar em branco em 2019, colocou dois longas de não-ficção entre os indicados, incluindo o brasileiro “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa. Em 2018, a empresa levou a estatueta da categoria com “Icarus”.

Entre os documentários em curta-metragem, foi indicada por “A Vida em Mim”. Nos últimos três anos, a Netflix venceu a categoria de curta não-ficção duas vezes.