Início ADIL BAHIA NUNCA É TARDE PARA COMEÇAR

NUNCA É TARDE PARA COMEÇAR

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Débora espera pela chegada de Agatha, primeira filha e com quem já tem uma relação cheia de amor

 

As palavras de hoje são destinadas aos futuros pais, aos que já embarcaram nesta incrível viagem ou mesmo aqueles que deixaram o tempo passar um pouco demais. Só um pouco. Afinal, nunca é tarde para começar.

Este post não tem a pretensão de torná-lo um expert em literatura infantil, mas com certeza vai lhe ajudar a se divertir com o seu bebê. Tenha ele a idade que tiver.

A medicina constata que, quanto mais cedo a leitura seja estimulada, maior o reflexo no desenvolvimento de áreas cerebrais relacionadas à composição de imagens mentais, fazendo com que as crianças “vejam” cada história contada dentro da própria cabeça.

A emoção de apresentar ao filho o mundo das letras tem a mesma intensidade da luz de Sirius, a maior magnitude do firmamento. É quando a gente percebe o brilho naqueles olhos que já vimos em lindos sonhos, dormindo ou mesmo acordados.

Durante pouco mais de sete meses da gravidez de Débora, além daquele bate-papo diário com a pequena Agatha, que parece nunca ser suficiente para a futura mamãe, tenho o prazer de vê-la sossegar do “estica e puxa” que faz daquela linda barriga um teste de resistência e elasticidade. Basta ouvir algumas das belas vozes das divas do jazz mundial ou mesmo o som instrumental de Glenn Miller para ela entrar em um invejável sossego. Se a música faz bem para nós marmanjos, imagine aos pequeninos. Herdar o gosto do pai e da mãe eu não sei, mas as chances devem ter aumentado e muito.

Assim como o som, desde a barriga da mãe, a leitura exerce comprovadamente uma influência positiva na formação do gosto ou escolhas do filho. Não se trata de esconder um mundo virtual cheio de telas touch, K’s, gigas e megas cada vez maiores dos aparelhos eletrônicos, mas de dar-lhe a opção de conhecer e desenvolver o hábito da leitura do livro físico.

Ao sentar e abrir um livro em um ambiente tranquilo, os pais devem ter a convicção de que essa interação é a forma mais simples de exercitar a fantasia, facilitar a comunicação, aumentar a confiança, reproduzir imagens e sensações com vozes, pausas, respirações, silêncios próprios de quem o filho quer a atenção, admira e ama.
Vai acontecer de ele pedir hoje, aquela mesma história lida ontem. A repetição está entre as características mais marcantes do início da infância. Pode interromper bruscamente, mostrar que decorou os trechos e palavras-chave que mais chamaram sua atenção. Isso nada mais é que a expressão da imensa vontade de aprender.

Faça caras e bocas, mostre como o vilão tem mesmo aquela fama de mau. Você pode até não ser tão lindo quanto o príncipe ou a princesa das mágicas histórias infantis, mas no reino de uma criança, o pai e a mãe têm beleza ainda maior. E se a plateia tiver mais de um ouvinte, não se desespere. Neste caso, quanto maior a audiência, mais prazeroso será ler.

Mesmo depois de toda a correria do dia a dia: estresse, trabalho, trânsito e números, tenha a certeza de que estes minutos em outra dimensão dedicados à palavra vão fazer bem a todos, inclusive para você.

 

 

*Adil Bahia tem 50 anos, radialista e jornalista paraense, graduado pela Universidade Federal do Pará, pós-graduado com MBA em Gerência de Jornalismo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), em Direção Editorial pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP).