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Túnel na Praça Santuário conta histórias e detalhes da origem do Círio de Nazaré

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Foto: Antônio Melo/DOL

Segundo a Diretoria da Festa de Nazaré, o túnel iluminado chama atenção desde a iluminação, mas principalmente pelos desenhos que explicam a origem do Círio, assim como pelas fotos de procissões e mantos que cobriram a imagem em anos anteriores. “Tivemos de adotar novas atrações, já que os tradicionais eventos não aconteceram. Então, pensamos e fizemos esse túnel que tem atraído a atenção dos visitantes, que têm comparecido a cada dia, mas com todas nossas recomendações de prevenção à Covid-19”, disse Roberto Souza, diretor de decoração.

A grande presença do público é facilmente observada, tanto que precisa ser organizada pelos colaboradores da Guarda de Nazaré para que não ocorra aglomeração. Nesse sentido, os que chegam para atravessar o iluminado túnel, além de fazer a rápida leitura dos quadrinhos, querem registrar o momento em fotos, seja pela câmera ou pelo celular. “Nossa, que atração legal! Mesmo tendo que ser rápido, conseguimos sentir essa emoção ao passar nesse túnel, principalmente no final quando vemos as fotos das procissões antigas e dos mantos que já vestiram a nossa Santinha”, declarou emocionada Salomé Pantoja, 46, professora.

Por conta da aceitação dos devotos, a Diretoria da Festa de Nazaré estuda a possibilidade de manter o túnel iluminado como atração para o Círio de outros anos, mas com mais novidades associadas que possam atender ainda mais a devoção mariana dos fiéis. “Deu certo, então projetamos continuar com o túnel. Talvez com mais luzes, telas com imagens em movimentos e outros recursos tecnológicos que possam fazer o devoto de Nossa Senhora de Nazaré sentir o Círio”, completou Roberto Souza.

EXPOSIÇÃO

Antes do acesso ao túnel iluminado, os devotos visitam primeiro a Imagem Peregrina que está em exposição no altar que fica no centro da Praça Santuário. Da mesma forma, centenas de fiéis formam filas monitorados pela Guarda de Nazaré, que faz a recomendação da tomada das medidas de prevenção à pandemia, para pedir as bênçãos da padroeira do paraense, tomados de emoção. “É inexplicável essa fé e devoção em nossa Nazinha. Só sei que é mais forte que nós”, disse Raquel Alencar, 39, engenheira.

Memorial de Nazaré recebe objetos de graças alcançadas

Até o dia 26 deste mês é possível depositar ex-votos – objetos que representam graças alcançadas – na Praça Santuário, em Belém. Parte do material deixado no local vai compor o acervo do Memorial de Nazaré, que será renovado no próximo mês de novembro.

O prédio situado ao lado da Casa de Plácido desde 2012 reúne objetos deixados nos carros dos milagres ao longo das procissões do Círio. Como este ano elas não ocorreram por conta da pandemia, os ex-votos estão sendo depositados diretamente em um local reservado na praça. Posteriormente serão levados para outra área onde vão passar por uma triagem.

Atualmente entre 400 e 500 peças estão no local. A maioria são casas de miriti e objetos de cera, que ajudam a contar um pouco da maior festa religiosa dos paraenses. “Todos os anos fazemos uma triagem dos objetos deixados, destacando aqueles mais criativos e inusitados e, a partir daí, vamos fazendo a renovação do acervo”, explica a turismóloga e coordenadora do memorial, Janes Jacques.

As peças são organizadas por categoria. “Temos uma parte dedicada à saúde, onde geralmente ficam os objetos de cera, a maioria deles representando alguma parte do corpo. Há a parte dos bens adquiridos, onde estão réplicas de barcos e casas geralmente de miriti e que compõem a maior parte do acervo. Temos uma parte que vem crescendo bastante relacionada a estudos, com muitos livros e cadernos de pessoas provavelmente aprovados no Enem ou em concursos públicos”, enumera.

Ao caminhar pelo local é possível encontrar um pouco de tudo: réplicas de carros feitos em material como Eva; roupinhas de anjo, bonecas, entre outros, além de alguns bem curiosos. “Ano passado chegou aqui uma cobra feita em miriti com cerca de dois metros de comprimento. Não dá nem para imaginar uma pessoa acompanhando a procissão do Círio com ela, deve está relacionado a ataques de cobra que são comuns em algumas regiões”, destaca a coordenadora. Mas há outros tão inusitados quanto como um vaso sanitário, um avião e um ônibus em cera.

Além dos ex-votos, o memorial possui ainda objetos que foram doados para o acervo do espaço por artistas e artesãos. Um deles é uma réplica da Basílica de Nazaré que fica logo na entrada feita com a chamada “vassoura do açaizeiro”, onde ficam os caroços da fruta na árvore. “Ela foi feita pelo artesão Danilo Ferreira, do município de Curuçá, que doou para o nosso arquivo. Atualmente ele também ajuda na ornamentação da berlinda da Santa”.

O local tem ainda uma área reservada para antigos mantos, como o que foi usado pela Imagem Peregrina no ano de 1987, assim como cartazes do Círio da década de 1980.

Por conta da pandemia as visitas ao local diminuíram bastante. “Restringimos para grupos de 15 a 20 pessoas por vez. Mas estamos recebendo bem menos do que o esperado, porque a maior parte dos visitantes era de turistas e como tivemos poucos este ano, estamos recebendo poucas pessoas daqui, por isso convidamos os paraenses para que possam vir visitar esse espaço com segurança e conhecer um pouco mais sobre o Círio de Nazaré”, diz.