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Só em junho foram mais de 2,5 mil denúncias de festas no Pará

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Foto: Beto Messias

Por Tiago Furtado, DOL

Mesmo com a reabertura gradual de atividades econômicas no Estado durante a pandemia de Covid-19, aglomerações, festas e outros tipos de confraternizações ainda seguem proibidos em todo o Pará. Apesar disso, a tarefa de fiscalização não tem sido fácil e a falta de conscientização sobre os riscos de proliferação do novo coronavírus ainda tem sido um obstáculo para evitar a grande concentração de pessoas em diversos pontos de Belém, seja em comércio ou locais como praças e outras áreas de lazer.

Dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) apontam que do dia 1º ao dia 25 deste mês, foram registradas por meio do Centro Integrado de Operações 190 (Ciop) 2.545 denúncias de festas com bebidas, aglomerações e eventos. No mesmo período, o Disque Denúncia recebeu 432 denúncias. Com relação aos casos de poluição sonora, o Ciop registrou 9.496 denúncias em junho deste, até o dia 25. Em 2019, no mesmo período, foram 5.466.

A médica infectologista e mestra em doenças tropicais, Eliane Fonseca Santos, alerta que as medidas de distanciamento são importantes até que surja uma vacina. “Porque se formos analisar friamente, não temos tratamento para o vírus. Essas medidas não podem se perder mesmo com a reabertura do comércio e shopping, o risco persiste porque o número de (pessoas) vulneráveis que ainda não tiveram ainda é alto.”

Polícia Civil realizou cerca de 400 operações

A Polícia Civil continua com ações de fiscalização em estabelecimento comerciais, a fim de manter as medidas de prevenção e combate ao novo coronavírus. Do dia 7 de abril ao dia 28 de junho foram realizadas cerca de 400 operações em todo o Estado. Mais de nove mil estabelecimentos foram fiscalizados e dez mil fechados. As equipes da PC também notificaram 509 estabelecimentos e autuaram 395. Neste período também foram registradas mais de duas mil advertências, 17 multas e 63 procedimentos policiais.

Em Belém, nas praias dos distritos de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro, a Guarda Municipal tem realizado ações para fiscalizar e coibir a permanência de pessoas nestas áreas em comuns devido à pandemia. A fiscalização também se estende a estabelecimentos feiras livres, orlas e bairros da capital paraense.

Porém, com o retorno aos poucos de atividades econômicas e reaberturas de shoppings e demais comércios em Belém, além de praias e balneários em várias localidades do Estado, a médica infectologista comenta que, em caso de aumento no número de infectados nestas localidades, um novo bloqueio total das atividades (lockdown) deve ser feito para evitar uma possível “segunda onda” da doença. Algo que pode ocorrer caso a população não tome os devidos cuidados. “A gente faz a flexibilização baseada na quantidade de leito hospitalar e testes disponíveis. Nosso problema é na quantidade de testes disponíveis que é baixa. Se aumentar o número de infecção em áreas de praias, será preciso isolar novamente para evitar um colapso no sistema de saúde”, alerta.

INFECTADOS

Mesmo com a justificativa de já ter contraído a doença e estar recuperado ou até mesmo dizendo nunca ter apresentado sintomas, Eliane Fonseca Santos afirma que é possível transmitir a doença para outras pessoas e declarou que medidas como o uso de máscara e a lavagem constante das mãos com água e sabão, além do uso do álcool em gel, devem virar uma rotina. “Mesmo assintomático, ele pode passar a doença para outras pessoas. Posso manifestar sintomas até 14 dias após entrar em contato com alguém que teve a Covid-19. Por isso a pessoa fica em quarentena. O período de maior carga viral é entre o terceiro e sétimo dia, mas não quer dizer que nos demais dias a transmissão da doença não pode ocorrer”, completa.