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Rússia promete distribuição em massa de vacina em outubro

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Foto: Reprodução

MOSCOU, 3 AGO (ANSA) – O governo da Rússia voltou a afirmar nesta segunda-feira (03) que a vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) desenvolvida no país será distribuída já no mês de outubro deste ano, sendo a primeira a ter uma liberação do tipo no mundo.

Segundo as informações divulgadas ao longo do fim de semana, a aprovação governamental para a imunização deve sair até o dia 10 de agosto, mesmo que os resultados da fase 3 não tenham sido sequer anunciados.

“Vendo os dados preliminares, nós asseguraremos a produção de diversas centenas de milhares de doses por mês com um sucessivo aumento até diversos milhões no início do próximo ano. Esperamos muito que a produção em série comece em setembro”, disse o ministro da Indústria e do Comércio, Denis Manturov, à agência de notícias Tass.

A fala de Manturov complementa a do ministro da Saúde, Mikhail Murashko, que afirmou no sábado (1º) que a vacinação em massa e gratuita “começará em outubro” e que os primeiros a receberem a imunização serão professores e médicos.

Desenvolvida pelo Centro Nacional Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia, em parceria com o Ministério da Saúde e o Ministério da Defesa, a vacina será produzida e distribuída – conforme Manturov – pelas empresas russas Generium, R-Pharm e Binnopharm.

– Falta de transparência nos dados: A notícia da distribuição da vacina russa ainda em 2020 causou grande polêmica na comunidade internacional e também na científica por conta da pouca transparência sobre a real eficácia da imunização.

Além disso, ela surge pouco após denúncias dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido de que hackers russos tentaram roubar dados do desenvolvimento de vacinas em laboratórios de todo o mundo.

Fato negado por Moscou.

Questões políticas à parte, o que se sabe sobre essa vacina é que ela está na fase 2 dos testes em humanos, que devem ser encerrados nesta segunda-feira. A própria vice-ministra russa, Tatiana Golikova, confirmou a informação, dizendo que o governo vai dar a aprovação da vacina com a condição de que os testes da fase 3 sejam iniciados “imediatamente”.

Golikova afirmou que a aprovação é apenas para profissionais de saúde e para a fase de testes, que deve incluir “apenas” 1.600 voluntários confirmados, e que será revogada no caso de efeitos colaterais graves. No entanto, diversos profissionais da área sanitária informaram que também vão tomar a vacina sem participar do teste em si.

O processo normal de aprovação da vacina é feito sempre em três fases, mas por conta da urgência provocada pela pandemia, a maior parte dos pesquisadores globais está realizando mais de uma fase ao mesmo tempo.

A primeira fase é para avaliar a segurança e os possíveis efeitos colaterais da vacina candidata; a segunda verifica tanto a segurança em um grupo maior de pessoas como se ela induz o corpo a dar uma resposta imunológica ao vírus; a terceira é o teste clínico “na prática”, que verifica com milhares de voluntários se há produção anticorpos contra o coronavírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), das mais de 160 vacinas candidatas contra a Covid-19, 25 estão sendo testadas em pessoas ao redor do mundo, sendo que cinco delas estão na última fase de testes: a ChAdOx1 nCoV da Universidade de Oxford com a Astra Zeneca; as chinesas CoronaVac, da Sinovac Biotech; a Ad5nCoV, da CanSino e da Academia de Ciências Militares da China; e uma da SinoPharm e dos Institutos de Produtos Biológicos de Pequim e Wuhan; e a mRNA-1273, da norte-americana Moderna e do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeccionas (NIAID).

No caso da quantidade de voluntários, para comparar aos 1,6 mil voluntários russos na terceira fase: a vacina da Oxford terá mais de 50 mil voluntários no mundo (cinco mil no Brasil); a da Moderna, terá 30 mil voluntários; a CoronaVac, nove mil voluntários só no Brasil na terceira fase; a da SinoPharm está em testes em 15 mil pessoas nos Emirados Árabes Unidos e deve ser testada também no Brasil.

Todas têm previsão de resultados finais para o fim do ano, entre novembro e dezembro – a própria OMS ressalta que a vacina deve ser distribuída apenas em 2021. Por isso, o anúncio da Rússia de que teria a vacina pronta em outubro já para a distribuição causou espanto.

As cinco mais avançadas tiveram seus estudos clínicos das fases iniciais publicados recentemente por reconhecidos veículos de divulgação científica, com dados detalhados de cada fase já realizada (1 e 2).

No entanto, o que se sabe sobre a vacina vem apenas das fontes do governo russo. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, através da agência Interfax, o Ministério da Defesa garante que a imunização “é segura” .

“As informações fornecidas pelos testes em laboratório e instrumentais nos permitem dizer que a vacina é segura e tem alta tolerância”, diz o comunicado citando que um grupo de voluntários se submeteu ao último controle clínico no 42º dia após receber a dose.

“Os resultados dos testes demonstraram de maneira conclusiva uma clara resposta imunitária desenvolvida em todos os voluntários na sequência de sua vacinação: não foram constatados relevantes efeitos colaterais ou desvios nos sistemas imunológicos dos voluntários”, informa ainda o órgão.
A vacina utiliza um adenovírus (que não foi divulgado) para combater o Sars-CoV-2, em um método considerado mais tecnológico. O uso de adenovírus é o vetor da vacina da Oxford (que usa um de chimpanzés), da CanSino (que utiliza um adenovírus atenuado do resfriado comum), e da Johnson & Johnson, que tem o adenovírus serotype 26 (Ad26), e que está ainda na segunda fase de testes. (ANSA).