Início BLOG DO BACANA Pouco mais de 1 milhão e 230 mil reais por dia, foi...

Pouco mais de 1 milhão e 230 mil reais por dia, foi o que a Prefeitura de Belém recebeu do governo federal para combater a pandemia, nesse ano

Compartilhar

Foto: Mauro Ângelo/DOL

Quase 187 milhões de reais foram repassados à Prefeitura de Belém através do Fundo Municipal de Saúde em 2020. É comum que as transferências do dinheiro ao fundo ocorram através de parcelas que se estendem durante vários meses do ano, mas esse ano um fato muito atípico aconteceu: a pandemia do novo coronavírus, o que gerou um acréscimo de dinheiro destinado ao município de Belém. Segundo o plano financeiro do Fundo de Municipal de Saúde, consta-se alguns valores especiais para o “combate ao coronavírus”. Em 30 de março houve o primeiro repasse extra exclusivo para Covid-19, no valor de R$ 3.731 milhões. A prefeitura pode aplicar esse dinheiro onde achar melhor para suprir as necessidades da pandemia.

Nessa mesma modalidade mais três repasses foram feitos em abril, nos valores somados de cerca de R$ 26.287 milhões. Outras transferências, mais específicas, para “incremento temporário ao custeio dos serviços de assistência hospitalar e ambulatorial” foram feitas para serem usados nos leitos de média e alta complexidade dos hospitais municipais e Unidades de Pronto Atendimento, UPAs, de Belém. Nessa modalidade foram sete repasses nos valores somados de R$4.950 milhões, com o primeiro no dia 8 de abril e os outros todos no dia 29/04.

Com o primeiro caso registrado em Belém no dia 18 de março, a doença gerou uma demanda muito elevada por serviços de saúde. Durante a pandemia de Covid-19, a lotação total dos leitos da cidade de Belém chegou em 91%, segundo divulgado na época pela Secretaria Municipal de Saúde. Pessoas que procuravam os dois Pronto Socorros, da 14 e Guamá, e Unidades de Pronto Atendimento, muitas vezes se viram sem atendimento. Apenas quando o Governo do Estado abriu o Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, e a Poli-clínica Almirante Barroso, que a situação teve uma melhora. Mesmo com repasses extras vindos do Governo Federal para o acréscimo aos valores repassados, o município por muitos dias não deu conta da demanda.

Segundo uma reportagem da Revista Bacana de maio, reproduzindo dados investigados por cientistas da Universidade Federal do Pará, o pico de contaminações foi justamente do final de abril até o dia 14/05,  mês com vários repasses de dinheiro extra. A dúvida agora é se a cidade possui capacidade para voltar às atividades não essenciais, e se a estrutura de Saúde foi reforçada pela Prefeitura de Belém, para estar apta para atender o risco de novas de contaminações. Ou seja, se os hospitais dariam conta de receber muitos doentes ao mesmo tempo outra vez.

Dinheiro não falta. Se pegarmos os 187 milhões e dividirmos por todos os dias do ano até 32 de maio, isso dará pouco mais de um milhão, duzentos e trinta e dois mil reais, POR DIA, apenas para o combate ao coronavírus, recurso enviado pelo Governo Federal, como mostra as planilhas na matéria.

Como Zenaldo sempre gosta de terceirizar as responsabilidades, inventando sempre um culpado por não conseguir cumprir suas centenas de promessas de campanha, certamente com esse dinheiro todo ele não poderá fazer isso dessa vez.

Agora, com recursos, é a hora do prefeito fazer a sua parte. Consultada, até o fechamento dessa matéria, a prefeitura não se manifestou.