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New York Times: “Justiça do Brasil chama Glenn Greenwald por denunciar um crime”

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Foto: Evaristo Sá/AFP

Por New York Times, traduzido e postado por Carlos Boução

Ele enfrentou ameaças contínuas desde que revelou que os textos vazados mostravam atividade ilegal por um juiz que ajudou a abrir caminho para a eleição de Jair Bolsonaro.

Pelo Conselho Editorial (*)

A denúncia do governo brasileiro contra o jornalista americano Glenn Greenwald é um caso cada vez mais familiar de atirar no mensageiro e ignorar a mensagem.

Greenwald é mais conhecido por seu papel na divulgação de documentos de segurança nacional vazados por Edward Snowden, ex-contratado pela Agência Nacional de Segurança, em 2013. No Brasil, onde ele se mudou há 15 anos para estar com o seu agora marido, um congressista brasileiro de oposição. Greenwald co-fundou uma versão em português do seu site de notícias investigativas, The Intercept, que se tornou um espinho ao lado do presidente da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

Em junho passado, o The Intercept Brasil publicou uma série de artigos, com base em mensagens vazadas de celulares, que pareciam mostrar conluio ilegal com promotores por Sérgio Moro, o juiz que havia se tornado um imbecil superestrela por prender vários empresários e políticos, incluindo o popular ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A prisão de Lula o eliminou da disputa de presidente, abrindo caminho para a eleição de Bolsonaro – que então nomeou Moro como seu ministro da Justiça. Agora, além desse conflito de interesse implícito, as mensagens hackeadas sugeriam que Moro havia violado a lei brasileira, segundo a qual os juízes deveriam ser árbitros neutros, para ajudar Bolsonaro. Isso por um homem anteriormente criticado por seu ataque à corrupção arraigada.

A atenção de Bolsonaro rapidamente se concentrou em Greenwald e não em Moro. Greenwald e seu marido, David Miranda, sofreram ameaças de morte e ataques homofóbicos. A imprensa brasileira informou que a polícia federal, que está sob o comando de Moro, pediu ao Ministério das Finanças que investigasse as “atividades financeiras” de Greenwald, e a polícia disse que havia iniciado uma investigação sobre a invasão de celulares que levava a vazamentos.

A denúncia criminal de 95 páginas, tornada pública na terça-feira disse que Greenwald não apenas recebeu e escreveu sobre mensagens invadidas, mas, na verdade, desempenhou um “papel claro na facilitação de cometer um crime”. Por exemplo, os promotores disseram que Greenwald se comunicava com os hackers enquanto monitoravam as conversas particulares em um aplicativo de mensagens.

(*) Conselho editorial é um grupo de jornalistas de opinião cujas opiniões são informadas por experiência, pesquisa, debate e certos valores de longa data. É separado da redação.