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Lacen-PA realiza análise de elementos químicos em água e alimentos

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Foto: José Pantoja/Agência Pará

O Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) vai analisar amostras de peixes da cidade de Aracruz (ES), para verificar se estão ou não contaminados com mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo, como consequência, ainda, do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, ocorrido em novembro de 2015. A demanda é do Ministério Público do Espírito Santo e o laboratório está aguardando a chegada das amostras para a análise.

O trabalho será desenvolvido pela seção de Toxicologia, que integra a Divisão de Análise de Produtos (DAP). Profissionais capacitados utilizarão equipamentos de última geração adquiridos com recursos da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre eles, merece destaque o ICP-OES, que quantifica metais em diferentes matrizes, como alimentos, biológicas e meio ambiente, e tem capacidade de processar até 208 amostras por dia.

A informação é do analista do Lacen-PA, Ronaldo Magno Rocha, doutor em Química Analítica. Ele mostrou um pouco do trabalho desenvolvido pela área de Toxicologia do Lacen-PA, que ocupa o quinto lugar na classificação do Ministério da Saúde, mas ainda não tem a sua importância conhecida pela maioria da população paraense.

Ronaldo disse que, como referência em análises fiscais para Vigilância Sanitária (Visa), a seção de Toxicologia analisa amostras para dosar a quantidade de sódio, ferro, ácido fólico, entre outras substâncias, em produtos alimentícios coletados de supermercados. Também realiza análise em água de meio ambiente, água de consumo, água de hemodiálise e de efluentes, atendendo a alguns órgãos do Estado, como Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC).

Sódio – O Lacen-PA participa do Programa de Avaliação do Teor Nutricional (Paten) e do Programa Nacional de Monitoramento de Aditivos e Contaminantes em Alimentos (Promac), do Ministério da Saúde, que visam à análise de alguns alimentos para verificar a presença de metais pesados, principalmente, de chumbo, arsênio e mercúrio.

“Mas, a grande demanda é a análise de sódio, já que a Anvisa vem trabalhando junto às indústrias alimentícias para reduzir a quantidade dele nos alimentos, como sopa instantânea, maionese, tempero pronto, macarrão instantâneo, embutidos em geral, biscoitos e até peixes. E nesse trabalho, o laboratório recebe amostras não só do Pará, mas de outros estados também”, explicou o analista.

Acidentes ambientais – Segundo Ronaldo, o Lacen-PA também atende a demandas inesperadas, como é o caso de acidentes ambientais ou denúncias feitas pelo Ministério Público do Estado (MPPA), em que há necessidade de averiguação. Um caso recente que necessitou de análises foi o acidente com possível derramamento de rejeito em Barcarena.

“Coletamos cabelo e sangue de mais de 200 pessoas e fizemos a dosagem de metais pesados nessas amostras biológicas. Dosamos alumínio, cádmio, chumbo, cromo e níquel, sendo que o cádmio, chumbo e níquel têm um grau de toxidade elevado” informou o analista.

Em Barcarena, também foi feita a análise da água de consumo e dos rios do município. Atualmente, o Lacen-PA consegue quantificar 26 elementos químicos.

Hemodiálise – O laboratório começará a monitorar 28 clínicas de nefrologia do Estado, para analisar, principalmente, alumínio em água de hemodiálise, utilizando um equipamento de alta sensibilidade denominado de ICP-MS. Para isso, os técnicos dos Centros Regionais de Saúde e da Vigilância Sanitária Municipal de Belém serão treinados em maio para coletarem as amostras das águas das clínicas e encaminharem ao laboratório.

Análise – Nos alimentos, o processo começa com a entrada da amostra no laboratório, onde passa, primeiramente, por uma triagem para saber se o produto está dentro dos padrões adequados para ser analisado, sendo observada a validade, peso e se a embalagem está íntegra. “O tempo de análise leva em média 15 dias desde a chegada da amostra até a entrega do laudo”, informou Ronaldo.

Se a análise apontar que o produto está insatisfatório para o consumo, o fabricante é imediatamente notificado e tem o direito de recorrer a uma análise de contra prova. Dependendo da gravidade, algumas medidas, tais como retirada de lote e até mesmo interdição da fábrica, podem ocorrer. “É o que tem acontecido com as águas adicionadas de sais, que a população, por desconhecimento, muitas vezes compra, como se fosse água mineral e vice-versa”, comentou o analista.

Controle de qualidade – Para garantir a emissão de resultados de maneira confiável, o Lacen-PA precisa atender a alguns parâmetros de qualidade, sendo um deles o Ensaio de Proficiência de Metais Pesados em Água.

A Rede de Metrológica de Minas Gerais (RMMG), responsável pelo ensaio, envia uma amostra para o Lacen-PA, chamada de amostra cega, pois é repassada com poucas informação sobre a quantidade de metais presentes. O laboratório analisa e emite um relatório para a RMMG, que aplica o teste a vários laboratórios ao mesmo tempo e depois compara os resultados com o dela, por meio de testes estatísticos. Segundo Ronaldo, esse serviço é pago pelo Lacen-PA e tem o objetivo de manter a qualidade das análises, especificamente de metais, feitas pelo laboratório.

O teste é uma maneira de o laboratório avaliar a sua confiabilidade analítica. O teste é feito anualmente e cada seção tem um teste de proficiência que pode ser adotado.

Com informações da Agência Pará