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Justiça do Distrito Federal nega liberdade a hackers suspeitos de invasão

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Foto: Montagem/Facebook/Reprodução

Por VEJA.com

A Justiça Federal no Distrito Federal decidiu manter presos os suspeitos de invadirem os celulares de autoridades, entre elas o ministro Sergio Moro (Justiça) e o procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público. Os acusados Walter Delgatti Neto, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Elias Santos e Suelen de Oliveira foram presos na operação Spoofing, da Polícia Federal, no último mês de julho.

A Polícia Federal argumentou que somente a detenção de Delgatti, conhecido como Vermelho, e Gustavo era necessária. Mas o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF concordou com o Ministério Público, que pediu a manutenção da prisão de todos os suspeitos.

As mensagens trocadas entre Moro, então juiz federal, e o procurador Deltan Dallagnol foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil, o que deu origem a uma série de questionamentos sobre sobre a atuação e imparcialidade dos dois no âmbito da Operação Lava Jato. Desde agosto, o magistrado converteu a prisão dos quatro em preventiva (por tempo indeterminado).

A Defensoria Pública, que representa Danilo, destaca que as investigações ainda estão em curso e que a autoridade policial é quem detém as informações do caso. “Os argumentos usados para manter a prisão estão baseados em suposições e ilações indevidas e inapropriadas para o momento processual, tendo em vista que sequer há provas concretas da participação de Danilo em qualquer conduta criminosa. Só nos resta concluir que se trata de medida para agradar alguns atores políticos. Iremos agora recorrer aos Tribunais Superiores para que o constrangimento ilegal a que está sendo submetido seja cessado”, diz nota.

De acordo com as investigações, a invasão aconteceu a partir do acesso a um código enviado pelos servidores do aplicativo Telegram para entrar na conta do aplicativo. Segundo a PF, os presos foram identificados a partir dos registros cadastrais fornecidos pelos provedores de internet.

Em depoimento à PF, Delgatti detalhou como uma cadeia de invasões o levou a contatos dos principais nomes da República. Afirmou também ser o responsável pelo conteúdo das mensagens publicadas pelo The Intercept Brasil. O suspeito disse que chegou até Glenn Greenwald, responsável pelo site, por meio da ex-deputada Manuela D’Ávila, que confirmou ter sido a ponte entre o invasor e o jornalista e entregou seu celular para análise.

Delgatti Neto também disse que não editou os diálogos de membros da Lava Jato e que não recebeu nenhum valor em troca das mensagens de autoridades.