Fim da Escala 6×1: O Que Está Mudando nas Jornadas de Trabalho no Brasil

A Importância do Debate Sobre o Fim da Escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 — que significa uma folga a cada seis dias de trabalho — foi discutida no Congresso em 2024 com repercussão nas redes sociais. Este tema tornou-se uma das principais discussões trabalhistas do país, mobilizando milhões de brasileiros e colocando em pauta o equilíbrio entre qualidade de vida e produtividade. A petição online do Movimento Vida Além do Trabalho já contabiliza impressionantes 1,4 milhões de assinaturas, demonstrando o forte apoio popular à mudança.
A relevância deste debate vai além das estatísticas: trata-se de repensar o modelo de trabalho brasileiro e alinhá-lo com padrões internacionais que priorizam o bem-estar dos trabalhadores, sem comprometer a viabilidade econômica das empresas.
O Movimento e as Propostas em Tramitação
A pressão social contra a escala 6×1 ganhou força em setembro de 2023, quando o então balconista de farmácia Rick Azevedo, morador do Rio de Janeiro, publicou um vídeo no TikTok relatando sua rotina exaustiva. A gravação viralizou, alcançou milhões de visualizações e deu origem ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Desde então, o movimento ganhou dimensão nacional e inspirou ações legislativas concretas.
O movimento inspirou a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) a apresentar uma PEC que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas, com quatro dias de trabalho por semana. Paralelamente, diante do impasse na subcomissão que discute o fim da escala de trabalho 6×1, o governo federal decidiu apoiar um novo projeto de lei para substituir o texto do deputado Luiz Gastão (PSD-CE). Agora, a aposta é na proposta relatada por Leo Prates (PDT-BA).
Empresas Pioneiras na Mudança
Enquanto o debate legislativo avança, várias empresas brasileiras já tomaram a iniciativa de abandonar a escala 6×1. A estreia da sueca H&M no Brasil, em agosto de 2025, também já nasce com um recado claro ao mercado: todos os seus funcionários trabalham na escala 5×2. No setor hoteleiro, o Palácio Tangará, hotel de luxo localizado na zona sul de São Paulo, anunciou a adoção do 5×2 para toda a operação, substituindo a antiga escala 6×1. A mudança representa um investimento anual superior a R$ 2 milhões e veio acompanhada da contratação de 27 novos funcionários.
Algumas empresas foram além, implementando a escala 4×3. A AngloGold Ashanti iniciou neste ano um projeto-piloto com cerca de 500 funcionários administrativos em Minas Gerais, demonstrando que modelos mais flexíveis são viáveis mesmo em setores tradicionalmente rígidos.
Conclusão: Perspectivas e Significado para os Trabalhadores
A discussão sobre a escala 6×1 tende a permanecer na agenda pública em 2025. Com diferentes propostas em tramitação e manifestações formais do governo federal, o tema exige negociação entre bancadas parlamentares, setores econômicos e entidades representativas dos trabalhadores. O debate representa não apenas uma mudança na legislação, mas uma transformação cultural sobre como o Brasil valoriza o tempo e o bem-estar de seus trabalhadores.
Para os milhões de brasileiros que trabalham seis dias por semana, o fim da escala 6×1 pode significar mais tempo com a família, oportunidades de qualificação profissional e melhor saúde física e mental. Embora os desafios de implementação sejam significativos, especialmente para pequenas empresas, a tendência é clara: o país caminha para jornadas de trabalho mais equilibradas e alinhadas com padrões internacionais de qualidade de vida.









