Início BACANA NEWS Em 98 público surpreendeu em escolha sobre casal gay no “Você Decide”

Em 98 público surpreendeu em escolha sobre casal gay no “Você Decide”

Programa exibia peças sobre dramas familiares e público tinha que escolher o final das histórias polêmicas.

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Em 1998, o desfecho escolhido pelo público em um dos episódios do Você Decide (1992-2000) pegou Caco Ciocler de surpresa. Ao lado de Tuca Andrada, o ator deu vida a um casal gay que batalhava na Justiça pela guarda de uma criança. Ao contrário de suas piores expectativas, os telespectadores decidiram a favor dos dois.

“Vocês nem eram nascidos (risos), mas as pessoas tinham que decidir se a gente podia ou não adotar uma menina. A resposta foi sim. E olha que isso tem 22 anos”, pondera o artista em entrevista ao Notícias da TV.

Na época, a Globo tomou todo o cuidado para evitar uma rejeição recorde à trama, já que Sílvio de Abreu tinha precisado “explodir” as lésbicas Ângela (Claudia Raia) e Leila (Silvia Pfeifer) poucos meses antes para salvar Torre de Babel (1998). Para piorar a situação, Caco tinha acabado de sair de um papel religioso –ele fazia o rabino Davi de O Amor Está no Ar (1997).

A história de Um Lar para Clarice girava em torno da empregada Fátima (Luciana Braga), mãe solteira de uma menina de um ano, que morava na casa de Roberto (Tuca Andrada) e Bruno (Caco Ciocler). Após a morte trágica da funcionária, o casal entrava em uma disputa judicial com a tia da criança –ela defendia que a criança ficasse sob a tutela de alguém “do mesmo sangue”.

Há duas décadas, pouco se discutia sobre novos arranjos familiares e muito menos sobre famílias formadas por parceiros homoafetivos. A figura do pai que sustentava e controlava a casa com mãos de ferro ainda era bastante presente na dramaturgia brasileira e pouco problematizada.

Ciocler, aliás, observa que houve uma mudança substancial na sociedade brasileira desde então, sobretudo na construção da masculinidade –mais afetiva e menos tirânica. “Os nosso filhos são criados desde já para não serem homens tóxicos, mas é algo que ainda vai demorar, porque passa de geração em geração”, avalia.

Ele acredita, no entanto, que as figuras paternas na televisão não acompanharam essa evolução. “O pai é pouco explorado na ficção na sua complexidade, ou é aquela pessoa permissiva ou o vilão malvado, abusador. Acho que tem a ver com o fato de que nós homens somos poucos preparados para discutir isso. É difícil”, ressalta o intérprete de Peter na reprise de Novo Mundo.

(Fonte: Daniel Farad, Notícias da TV. Todos os direitos reservados)

(Foto: Dêssa Pires – TV Globo)