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Deputado Priante: Da vontade de fazer um motim, pegar esse lixo que o Zenaldo não coleta e jogar todo na porta da casa dele

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O deputado federal Priante é um político de longo curso. Vereador por Belém, deputado estadual, deputado federal a cinco mandatos, foi relator de importantes comissões na Câmara dos Deputados e sempre teve a fama de combativo. Aqui ele nos dá uma entrevista exclusiva.

1-Vivemos um momento onde a população está abismada com o lixo que toma conta de toda a região metropolitana. Dizem que isso se deve ao fato de que o consórcio que administra o aterro sanitário de Marituba não estar trabalhando porque não recebeu pelo seu trabalho. Como você vê isso?

Isso é um indignidade com Belém, a cidade não merece isso. Lixo jogado por todos os cantos da região metropolitana que está  tomada pela sujeira , e a orientação é que as pessoas guardem o lixo em suas casas. Isso é uma afronta as famílias, aos moradores. A primeira vontade que dá é fazer um motim e jogar todo o lixo na porta da casa do prefeito, quem sabe assim ele toma a providência que tem de tomar.
Mas se é um consórcio, portanto uma ação metropolitana, cabe aí uma intervenção do Estado, porque passa a não ser apenas   um problema de Belém mas de outras cidades, e a ausência do Governo do Estado é como se não acontecesse um problema desses na região metropolitana. Ou seja, é a total ausência da Prefeitura e do Governo em resolverem problemas básicos como uma simples coleta de lixo que além de deixar as cidades imundas ainda traz doença a nossa população.

2- Na campanha em que você disputou com Zenaldo a prefeitura de Belém, ele prometeu concluir o BRT, as bacias, comprar o Porto Dias e transformá-lo em hospital municipal, fazer o transporte hidroviário entre as ilhas e o centro da didade, reformar o Ver-o-Peso. Mais de quatros anos depois que avaliação você faz das promessas de Zenaldo?

Essa pergunta me traz uma reflexão interessante. Parece que o tempo parou na nossa cidade.  Todas essas questões , muitas vem do debate que tive em 2008 quando disputei o segundo turno com o Duciomar.  Quantos anos já se passaram e os problemas continuam os mesmos, parece que o tempo parou. Zenaldo prometeu tudo isso em seus programas eleitorais, nos debates. Há um estado de perplexidade em nossa cidade, aguardando soluções, enfrentamentos aos problemas que acontecem a vários anos, e o prefeito além de prometer e não cumprir ele perdeu a capacidade de enfrentá-los. É como se houvesse um estado de cansaço coletivo, tanto da sociedade de cobrar o aguardo das soluções, como da administração municipal. Zenaldo foi reeleito e as mesmas palavras prometidas na primeira eleição e não cumpridas foram prometidas novamente na última eleição , portanto temos um estado de desesperança total com esses problemas que Belém enfrenta a tantos anos.

3- Como você vê o enfrentamento da segurança pública no Pará? O deputado Jordy deu uma entrevista aqui no site dizendo que foi seis vezes assaltado e duas vezes sequestrado, o que gerou enorme polêmica pelo absurdo da quantidade.

Pra você ver que a violência chegou a um ponto tal que não escolhe autoridade ou não autoridade, rico ou pobre, está epidêmica. A insegurança não escolhe endereço, alcança todas as camadas sociais, a insegurança é motivada por vários fatores. Falta um políciamento mais  ostensivo, falta um comando forte na questão da segurança, um braço de comando forte, temos o problemas dos salários ruins que são pagos a esses policiais. Também precisamos de políticas sociais que funcionem para tirar, evitar que a juventude seja chamada para o tráfico, a marginalidade.
É necessário um enfrentamento daqueles que vendem droga, dali saem grande parte dos motivos que levam aos crimes, a insegurança, tem de ter uma inteligência mais aparelhada para combater os pontos de venda, descobrir onde estão os comandantes, desarticular esse comando.
Fora o fato pra mim muito preocupante de que a juventude está ociosa, por falta de uma política educacional mais inclusiva, de uma política social mais firme. Acabam sendo refem  do tráfego.
Isso tudo requer governo e é isso que não estamos vendo no Pará já a algum tempo.

4- Novas doenças vivem aparecendo, agora a febre amarela. Qual sua opinião?

Muito preocupante essa reincidência que praticamente estava erradicada,  como a febre amarela, reaparecer. Fico muito preocupado, crescemos aceleradamente nos últimos anos, quadruplicou nossa população, a capacidade de enfrentamento à saúde pública devido à ausência de uma política regionalizada nesse estado , não dá  conta de atingir todo o estado com eficácia. Temos o Evendro Chagas que tem todo um preparo, mas já está na hora de termos uma distribuição imediata de vacinas em todos os cantos do estado, até porque as florestas nos abraçam e se a doença chegou a macacos, é um indicativo que chegará ao homem.

5- Priante, a gente anda pela cidade e vemos a prefeitura abandonada, o Chapéu do Barata depredado, o Bosque, o Museu, a Praça Batista Campos. Será que só eu que estou vendo nossa história se despedaçar?

Todo mundo vê . Mas quem deveria ver e fazer algo não faz. Nossa memória esquecida, parece até uma espécie de maldição de Antônio Lemos, ele que foi o maior gestor de Belém, mas também foi escorraçado de nossa cidade. A cada ângulo dessa cidade vemos sua participação como gestor desse município que deixou um legado impressionante e nos leva a uma reflexão , quando vemos que tudo está se acabando , nem o próprio palácio Antônio Lemos, a sede da prefeitura de Belém, conseguem manter dignamente.
Porque tanto desleixo a uma cidade que tem uma história tão importante como a nossa? Afinal temos mais de 400 anos. O futuro parece que está a Deus dará.

6 – Você sempre foi considerado pelos políticos um hábil captador de recursos para os municípios paraenses. Como está sendo esse seu mandato?

Em 2016 foram mais de 100 milhões de investimentos que articulei para vários municípios, no oeste, Nordeste, Marajó, sul, sudeste, na região metropolitana, transmazonica. Ações diversas que temos em buscar investimentos  para o enfrentamento de problemas diversos, como por exemplo o abastecimento de água, onde conseguimos recursos junto ao governo federal. Esse ano conseguimos recursos na área do turismo e esporte, fora as minhas emendas parlamentares. Continuo atuando fortemente junto ao governo Temer, principalmente junto aqueles municípios onde tive o privilégio da votação, e onde tenho compromissos em ajudar a solucionar os problemas.

7 – Como você vê o governo Michel Temer?

É um governo congressistas, um governo reformista, que tem a responsabilidade de resgatar a economia, o país, junto à crise institucional que marchava. Portanto são enormes os desafios, os remédios são amargos mas já estamos vendo sinais na economia, uma  luz no fim do túnel, que é o que todos querem. Esse governo tem a marca e a missão de construir os caminhos para o desenvolvimento futuro, os remédios para isso são amargos, mas a democracia, a efetiva necessidade de se promover reformas profundas como da previdência, a trabalhista, a solidariedade do congresso a todos os projetos que precisam e merecem ter atenção especial da sociedade, tudo isso se somatiza a necessidade do resgate desse país. Para que possamos voltar a crescer, gerar empregos.