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Caro para quem paga e insuficiente para quem recebe – O transporte coletivo agoniza em Belém

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As pessoas tem uma visão equivocada das empresas de ônibus. Acham que o dinheiro das passagens se transforma diretamente em lucro, como se não tivessem despesas para pagar. Não sabem que quase a metade do faturamento vai para pagar a folha de pagamento e seus encargos exorbitantes. 25% é só para comprar óleo diesel. Então sobra 1/4, ou pouco mais de R$0,80 (oitenta centavos) para comprar os ônibus, as peças, pneus, vidros, pagar o aluguel das garagens e muito mais. É o velho ditado: “é caro para quem paga e insuficiente para quem recebe”. Não a toa Belém ocupa a 24ª posição de tarifa entre as 27 capitais.
Para manter uma frota de quase 2.000 ônibus nas ruas de Belém, 365 dias por ano, é preciso muito dinheiro. Nos últimos 20 anos centenas de empresas de ônibus urbano quebraram no Brasil, ao menos 10 delas em Belém. Semana passada foi mais uma grande empresa no Rio de Janeiro. E olha que muitas cidades tem subsidio, ou seja : as prefeituras ajudam nas despesas das empresas, pagando os benefícios como meia passagem e gratuidades e com isso esses custos não são pagos pelos outros passageiros ou mesmo restam como prejuízo para as empresas.
Os custos com diesel, que são o segundo maior peso das tarifas de ônibus, subiram ao longo dos últimos 20 anos, 264,4% a mais que a inflação pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor – Amplo. Os dados são de um estudo da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, entidade que reúne 500 empresas de ônibus de todo o País. Segundo os dados, nos últimos 20 anos (de 1999 ao início de 2019), enquanto que o IPC-A acumulou alta de 232,848% e a gasolina 293,68%, o preço do litro do óleo diesel disparou 496,88%

Empresas de aplicativo de transporte tem crescido na cidade, mesmo cobrando 25% dos seus “motoristas”, porem mesmo sendo carros compartilhados eles não são meio de transporte de massa que atende os mais necessitados, que só podem contar com as empresas de ônibus.

Só em 2018 caiu 9,7% o número de passageiros pagantes nos ônibus de Belém, mas de modo inverso o número de passageiros gratuitos subiu 5,14% no mesmo período.
Este certamente é um dos motivos pelo qual a qualidade dos serviços não consegue alcançar níveis melhores em Belém.