Início BLOG DO BACANA Belém de todos os jeitos, cheiros e sabores

Belém de todos os jeitos, cheiros e sabores

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Foto: Márcio Monteiro

Na terra do “tu foste”, se tu vais, tu te apaixonas.
Nas nossas bandas, menino, até quem não é irmão é maninho.
Lá a gente ama “bem muito” e não pense que é pleonasmo, “bem muito” é bem mais que bastante.
E quando a gente “vai simbora” o coração fica zitinho, quer dizer, pequenininho de saudades do lugar.

Égua, não, como é que é? Não vem me dizer que tu não gostas de camarão com chibé.
Açaí com tapioca.
Farinha pra encher o bucho.
Tacacá de fim de tarde.
Maniçoba com arroz.

Lá para as nossas bandas, não tem só jacaré.
Também tem a cobra grande, o boto do Sairé.
No Pará tem Carimbó, Pinduca, Fafá de Belém, Gaby.
Tem Joelma, Nilson Chaves, Pedrinho Cavalero, Fruta quente, Joelma e Dona Onete.
E em todo final de festa se chama por Verequete.

No Pará tem dois Natais:
O de Cristo, Redentor, nosso Deus, nosso Senhor e o dia de Nazinha, mãe dele, nossa Rainha, com corda, cera e promessa. Um mar de gente na rua, com fé e com devoção, pra completar a missão. Chega em casa meio dia, logo após a procissão, no almoço tem família e tucupi na travessa, com pato, mesa bem posta, camisa, fita no braço, musse de cupuaçu.

A gente tem muita sorte, lá para as bandas do Norte, o sol está sempre quente. Julho é o verão da gente, dezembro é o nosso inverno e, se tu ainda não entendes, vou explicar meu senhor, é que a linha do equador fica mais perto da gente.

Um rico vocabulário, nós temos pra expressar. Um “égua” bem exclamado já quer dizer quase tudo. É espanto, é surpresa, é medo, lamento, tristeza, é alegria, é descoberta, usa quando erra e acerta. Mas pai d’égua é sempre bom.

A gente fala chiado, com o S arrastado, mas não somos cariocas, nosso mapa é mais em cima, trocamos o você pelo tu, a gente não fica triste, fica meio jururu.

Amuada eu fico quando me lembro do fim de tarde na Estação das Docas, do Ver-o-Peso, Ver-o-Rio,
das veredas para os igarapés, da lua cheia de cores.
Do cheiro da terra molhada, da manga da estação.
Do jambo roxo no chão.
Doce como a saudade que eu sinto da minha terra, do meu chão, do meu lugar.

Feliz Aniversário Belém do Pará.
Autor desconhecido.