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Após apontar classe política como problema, Bolsonaro muda tom e diz valorizar Parlamento

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Foto: REUTERS

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) – Depois de dizer, mais cedo nesta segunda-feira, que a classe política é o grande problema que impede o Brasil de dar certo, o presidente Jair Bolsonaro mudou o tom e disse que valoriza o Parlamento e que os deputados e senadores terão a palavra final sobre o texto da reforma da Previdência.

Em discurso na Federação das Indústria do Rio de Janeiro no início da tarde, Bolsonaro criticou a classe política, na qual se incluiu, acrescentando que algumas pessoas querem mais do que apenas conversar, em declaração que pode desagradar parlamentares no início de uma semana crucial para o governo no Congresso.

Ao afirmar que Câmara dos Deputados e Senado devem colocar em votação projetos que considerarem melhores do que aqueles enviados pelo Executivo, o presidente afirmou: “O que eu mais quero é conversar, mas sei que tem gente que não é apenas conversar”.

No Rio, o presidente também afirmou que “não há briga entre Poderes, o que há é uma grande fofoca”, que por vezes inviabiliza e atrasa o Brasil.

“É um país maravilhoso que tem tudo para dar certo. Mas o grande problema é a nossa classe política. Somos nós, Witzel, somos nós, Crivella, sou eu Jair Bolsonaro, é o Parlamento, em grande parte, é a Câmara Municipal, a Assembleia Legislativa. Nós temos que mudar isso”, afirmou o presidente, ao lado do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e do prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella (PRB).

Já no final da tarde, ao falar durante a apresentação da nova campanha em defesa da reforma da Previdência em Brasília, Bolsonaro disse que valoriza o Parlamento.

“Nos valorizamos, sim, o Parlamento brasileiro, que é quem vai dar a palavra final nesta questão da Previdência, tão rejeitada ao longo dos últimos anos”, disse o presidente. “Se aprovarmos a reforma, o Brasil sairá dessa estagnação rumo à sonhada prosperidade. Isso passa por todos vocês parlamentares, sem exceção.”

O aceno aos congressistas —com agradecimentos aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP)— vem depois de uma semana em que o clima com o Congresso chegou em um dos seus piores momentos, agravado pelo texto copiado das redes sociais e distribuído na sexta por Bolsonaro a algumas listas de contatos em que um autor anônimo dizia que o Brasil é ingovernável sem se apelar para “conchavos”.

As declarações do presidente sobre a classe política vêm num momento em que o governo coleciona derrotas no Congresso e no início de uma semana decisiva, em que o Planalto precisará conquistar votos no Parlamento para impedir que medidas provisórias importantes percam validade.

Perguntado sobre a responsabilidade que o presidente jogou para o Congresso durante o discurso na Firjan, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmou que, na sua opinião, a responsabilidade sobre as votações é do Congresso.

“Na minha opinião, sempre foi do Congresso. Ou vão fugir da responsabilidade? Óbvio que a responsabilidade é deles”, afirmou.

DESEJO POR POUCAS MUDANÇAS

No discurso que fez em Brasília, o presidente afirmou que não recebe mais parlamentares por falta de agenda, mas que quer continuar conversando com o maior número possível deles para resolver “possíveis equívocos” e melhorias possam ser feitas juntos na reforma da Previdência.

“Se bem que pretendemos que nossa reforma saia de lá com menor número possível de emendas aprovadas”, disse.

No discurso aos empresários no Rio, ele destacou a importância da aprovação da reforma, que disse ser “salgada para alguns”, mas que combaterá privilégios.

“Não podemos desenvolver muita coisa por falta de recursos. Por isso precisamos da reforma da Previdência”, afirmou. “Não dá para continuar mais o Brasil com essa tremenda carga nas suas costas. Se não fizermos isso, em 2022, 2023, no máximo 2024, vai faltar recursos para pagar quem está na ativa”, disse.

No entanto, apesar da importância destacada pelo presidente, a tramitação do projeto tem preocupado os investidores, que consideram haver uma falta de articulação política do governo para fazer o projeto avançar.

Em um novo sinal de problemas na interação do governo com o Congresso, o presidente da comissão especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), disse também nesta segunda-feira que o governo não consegue construir maioria para liderar o processo, mas que o país não pode ficar refém disso e o Congresso vai fazer a reforma andar independentemente do governo.

Ramos já havia afirmado na semana passada que a Câmara dos Deputados irá assumir a dianteira das negociações e produzirá um novo texto, a partir de emendas apresentadas e da proposta original.

Questionado se Bolsonaro apoia a intenção do Congresso de apresentar um novo texto para a reforma da Previdência, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, reiterou que o presidente considera a proposta enviada pelo governo como a melhor, mas que está aberto a negociações com o Congresso.

“A proposta que o presidente identifica como a melhor proposta é aquela que ele já elevou ao Congresso Nacional. Não obstante, ele se coloca parceiro nesse processo de discussão e de avaliação para juntos, Congresso e Poder Executivo, darmos um andamento àquilo que vai tirar o Brasil de um precipício que muito rapidamente se aproxima”, disse.

Fonte: Reuters