quarta-feira, janeiro 21

Família Brasileira Expulsa de Voo da Air France Após Downgrade: Entenda o Caso

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Introdução: O Caso que Revoltou Passageiros Brasileiros

Um episódio envolvendo uma família da Bahia expulsa de um voo da Air France em Paris reacendeu o debate sobre os direitos dos passageiros aéreos no Brasil. O caso ocorreu na manhã da última quarta-feira (14), pouco antes da decolagem no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. A situação expõe um problema cada vez mais comum no transporte aéreo internacional: o downgrade forçado de classe, quando passageiros são rebaixados involuntariamente da cabine que compraram.

Este incidente não apenas gerou prejuízos financeiros para a família envolvida, mas também levantou questões importantes sobre os limites das companhias aéreas e a proteção ao consumidor em viagens internacionais.

O Que Aconteceu com a Família Baiana

A família havia pago € 1.600 para fazer upgrade e viajar na cabine superior, mas foi surpreendida por um downgrade. Segundo o relato, uma das passageiras, que se sentaria no assento 7L, foi informada de que o lugar estava quebrado e, por isso, ela só poderia seguir na Econômica Premium.

A situação provocou uma discussão a bordo. Com o impasse, a polícia foi acionada e retirou a família do voo. O grupo afirma que não recebeu assistência da Air France após ser retirado da aeronave. Ainda segundo o relato, a família precisou comprar novas passagens em outra companhia e só conseguiu embarcar no dia seguinte, quinta-feira. O prejuízo alegado é de R$ 100 mil.

A Versão da Air France

A companhia aérea se posicionou sobre o incidente. A Air France afirmou que decidiu desembarcar “um grupo de quatro passageiros indisciplinados” do voo AF562, de Paris–Charles de Gaulle para Salvador, depois que, segundo a companhia, houve reação “exaltada” e “comportamento inadequado” em relação à tripulação de cabine.

Enquanto a família afirma ter sido prejudicada e não ter recebido assistência, a Air France sustenta que a decisão buscou preservar o “bom andamento do voo” e a “tranquilidade de todos a bordo”, citando a legislação internacional aplicável para justificar o desembarque do grupo.

O Que É Downgrade e Quais São os Direitos dos Passageiros

O episódio reacendeu a discussão sobre o chamado “downgrade”, termo usado quando o passageiro é colocado, contra a própria vontade, em uma classe inferior àquela que comprou. Em entrevista à IstoÉ, o advogado Leo Rosenbaum, especialista em Direitos Passageiros Aéreos, definiu o downgrade como “uma espécie de rebaixamento involuntário da classe de serviço que foi contratada”.

Em voos internacionais, Rosenbaum afirma que a compensação mínima prevista é de ao menos 75% da diferença tarifária, com base na Convenção de Montreal, além da assistência material em caso de espera adicional. Se o passageiro recusar o “downgrade”, pode exigir reacomodação em voo equivalente ou o reembolso integral do valor pago.

Conclusão: Implicações e Recomendações

Este caso evidencia a necessidade de maior transparência e respeito aos direitos dos consumidores no setor aéreo. O caso expõe o atrito entre o atendimento ao consumidor — especialmente quando há mudança de cabine — e a autoridade do comandante para manter a ordem e a segurança do voo.

Os advogados recomendam que passageiros afetados por downgrade documentem toda a situação, incluindo cartões de embarque, comunicações da empresa e registros do ocorrido. A orientação inicial é buscar os canais administrativos da companhia. A família informou ao portal BNews que pretende processar a Air France pelo ocorrido.

Para os passageiros brasileiros, este episódio serve como alerta sobre a importância de conhecer seus direitos e exigir o cumprimento das normas de proteção ao consumidor, tanto nacionais quanto internacionais, garantindo viagens mais seguras e respeitosas.

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