O Grande Assalto: 20 Anos do Maior Roubo a Banco do Brasil

Introdução: Um Crime que Entrou para a História
Em agosto de 2025, o Brasil relembra um dos crimes mais espetaculares e audaciosos de sua história: o assalto ao Banco Central de Fortaleza, onde uma quantia de R$ 164.755.150 foi levada, no episódio considerado o maior assalto a banco da história do Brasil. Este evento, que completou 20 anos, continua fascinando pela sua sofisticação e ousadia, tornando-se um marco na segurança pública brasileira e inspirando produções cinematográficas e documentários.
A relevância deste acontecimento vai além do valor milionário furtado. O assalto ao Banco Central de Fortaleza foi um marco pela quantidade de recursos, pela sofisticação e elaboração do plano, representando uma operação milimetricamente planejada que expôs vulnerabilidades no sistema de segurança nacional e marcou o início de uma nova era no crime organizado brasileiro.
A Execução do Crime Perfeito
No fim de semana de 6 e 7 de agosto de 2005, os criminosos cavaram um túnel de cerca de 80 metros de extensão e arrombaram o piso da casa-forte. A operação demonstrou um nível impressionante de planejamento e conhecimento técnico. Por mais de três meses, a quadrilha cavou manualmente um túnel de 80 metros até o subsolo da sede regional do Banco Central, que foi escorado com vigas de madeira, contava com iluminação, sistema de ventilação e até ar-condicionado.
A quadrilha utilizou uma empresa de fachada – uma loja de grama sintética – para disfarçar as atividades suspeitas. A quadrilha altamente especializada invadiu a caixa-forte do Banco Central sem disparar um único tiro e levou quase R$ 165 milhões. O crime só foi descoberto na segunda-feira, 8 de agosto, quando funcionários notaram o desaparecimento do dinheiro, dando aos criminosos cerca de 44 horas de vantagem na fuga.
Investigação e Condenações
A investigação mobilizou forças de segurança em todo o país. No total, foram 133 denunciados, com 119 condenações, com crimes variados, como furto, formação de quadrilha, uso de documento falso, extorsão, sequestro e lavagem de dinheiro. Entre os principais envolvidos estavam Antônio Jussivan Alves dos Santos, o “Alemão”, apontado como mentor do crime, e Moisés Teixeira da Silva, o “Tatuzão”, considerado o engenheiro responsável pela escavação do túnel.
Apenas cerca de R$ 60 milhões foram recuperados — o equivalente a 36,5% do valor total furtado. O dinheiro restante foi pulverizado em compras de imóveis, carros, transferências internacionais ou simplesmente desapareceu. O caso também gerou crimes colaterais, incluindo sequestros e assassinatos relacionados à disputa pelo dinheiro roubado.
Legado e Impacto na Segurança Brasileira
Duas décadas depois, o assalto ao Banco Central continua relevante para entender a evolução do crime organizado no Brasil. Este assalto se encaixa no perfil de um conjunto de operações em que entendemos ser uma primeira geração da atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital), demonstrando a sofisticação crescente das organizações criminosas brasileiras.
O caso inspirou diversas produções culturais, incluindo filmes e a série documental da Netflix “3 Tonelada$: Assalto ao Banco Central” (2022), que trouxe depoimentos inéditos de policiais e criminosos. Em 2024, foram registradas 36 ocorrências no total, entre assaltos a agências e ataques a caixas eletrônicos, 79,4% menos que em 2023, demonstrando que as melhorias na segurança bancária implementadas após o grande assalto tiveram efeitos duradouros.
O grande assalto ao Banco Central permanece como um divisor de águas na história criminal brasileira, um lembrete permanente sobre a importância da vigilância constante e do aperfeiçoamento dos sistemas de segurança institucional.









